Liturgia

Nossa Senhora do Ó

A Virgem Maria encarna perfeitamente o espírito do Advento, feito de escuta de Deus, de desejo profundo de fazer a sua vontade, de alegre serviço ao próximo. Deixemo-nos guiar por ela, para que o Deus que vem não nos encontre fechados ou distraídos, mas possa, em cada um de nós, estender um pouco o seu reino de amor, de justiça e de paz.

Bento XVI, Angelus, 02 /12/2012

A liturgia da Igreja é a maior escola de espiritualidade, é nela que nos encontramos com CRISTO, que Ele nos fala, nos exorta, nos chama à conversão e nos apresenta o caminho que devemos seguir, Não há verdadeira amizade com CRISTO sem o culto que a Igreja: Anjos, Santos e homens dão a Deus na Sagrada Liturgia.

Por este motivo encontramos na liturgia do Advento a linha mestra para viver a nossa espiritualidade neste tempo. As leituras, as orações, os Prefácios, nos colocam mais intimamente ligados à esta realidade: “o DEUS que vem!”. O Santo Padre Bento XVI nos apresenta esta profunda relação entre liturgia celebrada e vida espiritual: “o lugar no qual a igreja é experimentada plenamente é na liturgia: essa é o ato no qual acreditamos que Deus entra na nossa realidade e nós podemos encontrá-Lo, podemos tocá-Lo. É o ato no qual entramos em contato com Deus: Ele vem a nós, e nós somos iluminados por Ele.” (Catequese, 03/10/2012)

As Antífonas do Ó vão nesta linha. São sete antífonas especiais, cantadas no Tempo do Advento, especialmente de 17 a 23 de dezembro antes e depois do Magnificat na oração das vésperas (por isso são antífonas, ou seja, cantadas antes do canto principal). São assim chamadas porque tem início com o vocativo Ó. Também são chamadas de Grandes Antífonas (Antiphonae Majores). Ainda hoje elas são cantadas nos mosteiros e abadias de todo o mundo, mas também lembradas na liturgia da missa. A reforma litúrgica pós Vaticano II não esqueceu os textos das Antífonas do Ó, veneráveis na antiguidade e atribuídos ao Papa Gregório Magno (+604). Hoje se utilizam as antífonas na aclamação ao Evangelho durante as missas dos dias feriais que precedem o Natal.

As antífonas do Ó foram compostas entre o século VII e o século VIII, e são uma espécie de resumo da teologia sobre Jesus Cristo, um resumo expressivo do desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espírito do Advento e do Natal. O uso do canto gregoriano nas Antífonas do Ó sempre concorda a voz com a Palavra, reafirmando a importância da unidade da celebração, o uníssono da voz de toda a comunidade.

As antífonas expressam a admiração da Igreja diante do mistério de Deus feito Homem, buscando a compreensão cada vez mais profunda de seu mistério e a súplica final urgente: “Vinde”. Todas as sete antífonas são súplicas a Cristo, em cada dia, invocado com um título diferente, um título messiânico tomado do Antigo Testamento.

Há uma curiosidade no texto latino das Antífonas do Ó: a primeira letra das sete primeiras palavras que seguem o vocativo “Ó”, lida em sentido inverso, equivale ao acróstico ERO CRAS (“Virei amanhã”), um anúncio do próprio Messias aos fiéis no tempo do Advento do Senhor.

Seguindo o convite do Santo Padre, vivamos a nossa espiritualidade neste período litúrgico em comunhão com MARIA, a VIRGEM do Advento, a MÃE da Esperança.

 

17 de dezembro

Ó Sabedoria
que saístes da boca do altíssimo
atingindo de uma a outra extremidade
e tudo dispondo com força e suavidade:
Vinde ensinar-nos o caminho da prudência

18 de dezembro

Ó Adonai
guia da casa de Israel,
que aparecestes a Moises na chama do fogo
no meio da sarça ardente e lhe deste a lei no Sinai
Vinde resgatar-nos pelo poder do Vosso braço.

19 de dezembro

Ó Raiz de Jessé
erguida como estandarte dos povos,
em cuja presença os reis se calarão
e a quem as nações invocarão,
Vinde libertar-nos; não tardeis jamais.

20 de dezembro

Ó Chave de Davi
o cetro da casa de Israel
que abris e ninguém fecha;
fechais e ninguém abre:
Vinde e libertai da prisão o cativo
assentado nas trevas e à sombra da morte.

21 de dezembro

Ó Oriente
esplendor da luz eterna e sol da justiça
Vinde e iluminai os que estão sentados
nas trevas e à sombra da morte.

22 de dezembro

Ó Rei das nações
e objeto de seus desejos,
pedra angular
que reunis em vós judeus e gentios:
Vinde e salvai o homem que do limo formastes

23 de dezembro

Ó Emanuel,
nosso rei e legislador,
esperança e salvador das nações,
Vinde salvar-nos,
Senhor nosso Deus.

Fontes: No Coração da Igreja e Portal A12

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